Dicas de um diplomata para a preparação ao CACD

Dicas de um diplomata para a preparação ao CACD

Dicas de um diplomata para a preparação ao CACD

No artigo de hoje, o IDEG traz a entrevista realizada com Jorge Santos, recém diplomata também aprovado no CACD 2018.

Como os demais entrevistados(as), ele nos conta as peculiaridades de sua trajetória enquanto cacdista: seus erros, acertos e como sua experiência de 4 anos de estudos o conduziu à aprovação.

É, de fato, interessante notar como as trajetórias são únicas e a de Jorge Santos é digna de grande admiração, sobretudo por sua humildade tão genuína.

Vamos conhecer o recém diplomata?

Jorge é graduado em Ciências sociais, mestre em música e estava prestes a começar o processo de doutorado. Foi quando resolveu se dedicar ao CACD, em 2014. Ele nos conta que teve poucas referências sobre a carreira diplomática e o concurso até que um amigo próximo resolvesse prestar. A convivência acabou por despertá-lo também para essa possibilidade, incentivado pelo amigo, que viu nele um perfil potencial para os estudos.

Entre 2010 e 2014, Jorge foi se aproximando da ideia, visitou o Itamaraty e tentou entender um pouco melhor sobre os estudos. Defrontou-se com os receios comuns aos que um dia se debruçaram efetivamente sobre a realidade da preparação para o CACD. Preocupações como:

  • Questões financeiras;
  • Organização de tempo de estudos e;
  • No caso dele, quanto tempo seria necessário até aprovação dada sua idade – 32 anos, à época;
  • E o tempo hábil para colocar em prática outros planos, caso a diplomacia não funcionasse.

A princípio, ele pensou num tempo de dois anos de estudo, mas logo percebeu que essa limitação era uma falácia.

Conversou com muitas pessoas, entre elas a professora e orientadora pedagógica do IDEG, Mariana Lima, e o professor Marcello Bolzan, e foi alertado sobre a necessidade de levar os estudos em “doses homeopáticas”. Ou seja, pegando, no máximo, quatro matérias por vez. E assim ele o fez. Nesse mesmo momento, ele percebeu o quão necessário era colocar em segundo plano outros projetos para poder dedicar-se com qualidade para o concurso. Por isso, parou de estudar música por um tempo.

Neste sentido, durante a conversa, o professor Marcello Bolzan, contribui ao relato com algumas observações, sob o ponto de vista de quem está há anos no mercado e em contato direto com os/as alunos(as). Bolzan ressalta a maturidade como fator fundamental para uma relação saudável com o processo. E, ainda acrescenta que ela pode ser dividida em três noções: o conhecimento do concurso em si, do ambiente da preparação e da carreira diplomática. Entender a dinâmica dessas três realidades de maneira consciente é altamente necessário para conduzir as estratégias de estudos, como um todo.

Jorge nos conta que era um “outsider” antes de se aproximar dos conteúdos do concurso. Afinal, veio da música e realmente não tinha proximidade com qualquer tema ali cobrado, com exceção de geografia.

É por este, entre outros fatores, que sua trajetória nos desperta interesse e vale como um relato valiosíssimo aos que acreditam ser a diplomacia uma possibilidade só para quem é das relações internacionais e do direito. Como diz o recém diplomata, seu nível inicial era “-10”. Com muita saga e estratégia, Jorge conseguiu acessar os conteúdos e achou maneiras de trabalhá-los gradativamente.

Como Jorge conseguiu se tornar diplomata?

Seguem os conselhos compartilhados por ele, alguns deles bastante reiterados por ex-candidatos(as), hoje aprovados(as), e por professores:

  • Construir cadernos completos e enxutos é fundamental, porque eles são o resultado de um conhecimento manipulado. Apenas com repetição é possível fixar conteúdos tão extensos e diversos.

 

  • Idiomas. Jorge percebeu que a prova tem um padrão de cobrança para os três idiomas – um modo de escrita arcaico e engessado. De nada adiante dominar o inglês, o francês, o espanhol e o português se não houver um esforço minucioso para entender como a prova cobra a linguagem. Dominar a gramática é fundamental, já que sua avaliação corresponde a 50% da prova.

 

  • O diplomata considera também que o concurso é dividido em dois momentos: o pré-edital e o pós. Ele diz que o pré-edital é o momento mais extenso, dedicado às leituras e a prática constante dos idiomas. Já o pós é mais corrido e exige do candidato uma rotina rígida.

 

  • Revisão de exercícios. Ele foi percebendo aos poucos que treinar exercício é uma prática central para entender a prova, no sentido de traduzir o conteúdo à linguagem específica do Cespe. Nos dois anos iniciais, ele treinou muito pouco. Mas, à partir de 2016, integrou exercícios feitos ao material de estudos, de acordo com cada matéria. Claro que isso fez toda diferença…

 

  • Repertório de 3° fase: caderno. Mais uma vez, Jorge diz como os cadernos foram importantes no processo de amadurecimento nos estudos, pois foram são lugares para condensar e reafirmar conteúdos já vistos. Ou seja, repetir é absorver.

 

  • Fichamentos: para cada matéria ele seguia uma estratégia, dadas as peculiaridades dos conteúdos. Com história, por exemplo, ele costumava extrair trechos de livros e inseri-los nas demais anotações de caderno. Para economia, a união entre gráficos e pequenas explicações foi o ideal.

 

Sob uma perspectiva mais geral, Jorge também descreve como seu desempenho foi evolutivo conforme os anos e seu esforço de autoavaliação. Em 2015, primeira vez em que prestou, não passou. Tentou, em 2016, a prova de ação afirmativa do Instituto Rio Branco e também foi reprovado. Nessa, ele percebeu o quão aquém do nível desejado pela prova ele estava e mudou radicalmente seu comportamento. Seguiu estudos constantes, com leituras regulares, fichamentos diários de atualidades e métodos de revisão.

Em 2016, ele passou na primeira fase e pela ampla concorrência.

Em relação a sua experiência enquanto cotista, ele diz que se preparava sempre para ser o primeiro, independentemente da concorrência que enfrentaria. Sabemos que a política de cotas é uma política mínima de reparação histórica. Ela foi implementada pelo Estado brasileiro, dado o enorme desamparo educacional em que se deixou a população negra desde a diáspora. Mas, em termos de condicionamento psicológico, Jorge acha importante se preparar para disputar em ampla concorrência. Por exemplo, a maior nota de inglês em 2018 foi de um cotista.

A prova em si, diz ele, é bastante objetiva. Então, estudar de maneira detalhada e pragmática é um processo necessário para qualquer candidato(a). Além disso, dividir o conteúdo em pedaços para ter uma noção mais estratégica do todo, escrever de maneira assertiva de acordo com o conteúdo cobrado e entender que o aprendizado não para com a aprovação é essencial.

Por último, um conselho valioso dado por Jorge…

…foi o de fazer análises de desempenho de um concurso para outro. Ele fez análises do próprio desempenho em relação a cada matéria. Mas, também se comparou, em nota, com os primeiros e últimos colocados. Assim, poderia entender quanto teria que melhorar para atingir o nível exigido. Certamente, ele já fazia um concurso pensando nos passos para o próximo.

Reiterou, sobre isso, o quão importante é racionalizar o planejamento para não cair num “limbo emocional”. Lugar, onde muitos caem e acabam se desestimulando, inclusive. Compartilhar experiências, neste sentido, ajuda a manter o gás e evitar erros. Ele mesmo diz que poderia ter evitado vários, caso tivesse convivido com outros(as) candidatos(as).

 

Vídeo da entrevista completa com o Jorge Santos

Se quiser assistir a entrevista na íntegra com o recém diplomata, é só dar play!

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