
Eleição do presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU: o papel da liderança da AGNU no multilateralismo contemporâneo
Eleição do presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU: o papel da liderança da AGNU no multilateralismo contemporâneo
A eleição do presidente da Assembleia Geral da ONU é um momento de extrema relevância para o sistema multilateral. Primeiramente, embora a presidência não possua poderes equivalentes aos do Conselho de Segurança, sua atuação conduz o principal órgão deliberativo do mundo. Entenda por que esse tema institucional é decisivo para a sua preparação focada no CACD.
Nesse contexto, em junho de 2026, o embaixador Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, foi eleito para presidir a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, cujo mandato terá início em setembro de 2026 e duração de um ano. O Governo brasileiro congratulou o diplomata e reiterou a importância atribuída à Assembleia Geral como espaço privilegiado para a promoção do Direito Internacional, do desenvolvimento progressivo das normas internacionais e da construção de uma governança global mais representativa, legítima e eficaz.
A representatividade do sistema multilateral
Criada pela Carta de São Francisco em 1945, a Assembleia Geral da ONU (AGNU) reúne os 193 Estados-membros sob o princípio da igualdade soberana. Dessa forma, cada país dispõe de um voto, independentemente de sua força econômica ou militar.
Veja as principais atribuições desse órgão central:
- Discussão de temas ligados à paz, segurança e direitos humanos;
- Desenvolvimento e codificação do Direito Internacional;
- Aprovação do orçamento da Organização;
- Eleição de membros do Conselho de Segurança, ECOSOC e juízes da Corte Internacional de Justiça (em conjunto com o CSNU).
Apesar de suas resoluções possuírem natureza recomendatória, a AGNU funciona como o maior espaço de diálogo diplomático e construção de consensos do planeta.
Como funciona a eleição da presidência?
Inicialmente, o mandato para a presidência da Assembleia Geral tem duração de um ano. Além disso, o cargo obedece a um rígido sistema de rodízio geográfico entre cinco grupos regionais: África, Ásia-Pacífico, Europa Oriental, América Latina e Caribe (GRULAC) e Europa Ocidental e Outros Estados (WEOG).
Por consequência, esse mecanismo garante o equilíbrio regional. Nas últimas décadas, o cargo foi ocupado por representantes de diferentes regiões do mundo, refletindo essa lógica de rotatividade. Entre os presidentes recentes destacam-se o fijiano Peter Thomson (71ª sessão), a equatoriana María Fernanda Espinosa (73ª sessão), o turco Volkan Bozkır (75ª sessão), o malinês Abdulla Shahid (76ª sessão), o húngaro Csaba Kőrösi (77ª sessão), o representante de Trinidad e Tobago Dennis Francis (78ª sessão), o camaronês Philémon Yang (79ª sessão) e a alemã Annalena Baerbock, eleita para a 80ª sessão da Assembleia Geral.
A tradição diplomática brasileira
A relação do Brasil com o órgão é historicamente marcante. Desde meados da década de 1950, mantemos a tradição de realizar o primeiro discurso do Debate Geral anual. De fato, essa prática é um símbolo da presença brasileira no multilateralismo.
Mais importante ainda, essa prerrogativa está diretamente ligada à figura de Oswaldo Aranha, diplomata que presidiu sessões históricas no início da ONU. Por isso, o Brasil tradicionalmente defende o fortalecimento da Assembleia frente às limitações do Conselho de Segurança.
A A 81ª sessão da AGNU e os desafios do multilateralismo
A chegada de Khalilur Rahman à presidência da Assembleia Geral ocorre em um momento de intensas transformações da ordem internacional. Conflitos armados, mudanças climáticas, desigualdades econômicas, desafios tecnológicos e debates sobre reforma das instituições internacionais tornam ainda mais relevante o papel da AGNU como fórum de diálogo universal.
Embora a presidência da Assembleia Geral não tenha poder decisório autônomo sobre as grandes questões internacionais, sua capacidade de organizar agendas, aproximar posições e estimular negociações é fundamental para o funcionamento cotidiano do multilateralismo.
Como o tema é cobrado no CACD
[TPS 2025] O processo de descolonização na década de 1960 e a assunção da maioria da Assembleia Geral da ONU pelos Estados do grupo do Terceiro Mundo foram o nascedouro do direito do desenvolvimento, o que acarretou uma guinada na cooperação entre os povos, com vistas à superação das diferenças de desenvolvimento entre eles.
A governança da ONU é um pilar do concurso. Veja como o nosso corpo docente trabalha as nuances institucionais e políticas deste tópico:
Em Política Internacional, o professor e diplomata Thomaz Napoleão analisa as transformações da ordem internacional, a reforma das instituições globais e a inserção do Brasil no debate sobre segurança e clima.
Já em Direito Internacional Público, o professor e diplomata Pedro Sloboda detalha a Carta da ONU, as regras de votação, as resoluções não vinculantes e o princípio basilar da igualdade soberana.
Em conclusão, estar atento às lideranças dos órgãos principais das Nações Unidas é fundamental para o diplomata em formação. Acelere a sua aprovação estudando com o método estratégico do IDEG!