Ucrânia: Sob risco de implosão econômica e política

Ucrânia: Sob risco de implosão econômica e política

Ucrânia: Sob risco de implosão econômica e política

Salve, cacdista!

Trazemos mais uma notícia de interesse para o CACD. Afinal, este tema é requisitado no edital do concurso. Portanto, estar atualizado é fundamental.

Presente na matéria de Política Internacional, mais precisamente no ponto do edital:

  1. Política externa russa e relações com o Brasil.

Confira a matéria da Folha, na íntegra, logo abaixo.

 

“Sob risco de implosão econômica e política, Ucrânia vive ano decisivo

Eleição em março, mês que marca os cinco anos da perda da Crimeia para a Rússia, está indefinida

 

Igor Gielow – O PAULO – Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/02/sob-risco-de-implosao-economica-e-politica-ucrania-vive-ano-decisivo.shtml

 

Cinco anos após ter virado a linha de frente da disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente, a Ucrânia vive uma das piores crises de sua turbulenta história.

Com a economia em frangalhos, escolherá um novo presidente em março e enfrenta pressões separatistas.

Entre analistas e diplomatas especializados na região, os temores vão de instabilidade intensa até colapso total no país de 45 milhões de pessoas encravado entre a arquirrival Rússia e a Europa.

O estágio atual da crise, que vem desde a dissolução da União Soviética em 1991, começou com o golpe que derrubou o governo pró-Moscou em Kiev no começo de 2014.

Saudado como uma revolução democrática pelo Ocidente, ele gerou uma reação drástica do presidente Vladimir Putin: a anexação, por meio de um referendo não reconhecido em fóruns internacionais, da península de maioria russa da Crimeia.

Além disso, regiões separatistas do leste ucraniano se rebelaram contra o poder central, num conflito que já matou 10 mil pessoas.

O governo pró-Ocidente de Petro Poroshenko amargou um tombo de 17% no PIB (Produto Interno Bruto) nos dois anos seguintes à sua chegada ao poder, em eleição na esteira da crise de 2014. O crescimento foi retomado, mas de forma tímida e agora, estagnada.

Tentando ajudar, países ocidentais costuraram dois pacotes do FMI (Fundo Monetário Internacional) desde 2015, dando um oxigênio de US$ 21,4 bilhões a Poroshenko.

Mas acusações de corrupção mancham a imagem do governo, que em julho passado atrasou salários do funcionalismo e falhou em cumprir obrigações estabelecidas pelo FMI, como o fim do subsídio no preço do gás.

“É difícil saber se a inabilidade é um sintoma ou uma causa”, diz a analista política russa Ekaterina Zolotova, da consultoria americana Geopolitical Futures. Ela lista uma série de sinais de degradação da economia ucraniana, como o aumento da pobreza de 8% para 55% de 2014 a 2017.

Conflito no leste da Ucrânia

Combates que já deixaram 10 mil mortos e 1,5 milhão de refugiados se estendem há quatro anos

A inflação atormenta os consumidores. Produtos básicos da mesa ucraniana registraram altas enormes em 2018: a cebola subiu 115%, o repolho, 60%, a batata, 50%. Combustíveis e transportes estão com preços recordes.

O governo culpa a instabilidade no leste, a região conhecida como Donbass, e a perda da Crimeia pelos problemas. Para o deputado Dmitro Timchuk, do partido nacionalista Frente Popular, o Ocidente é lento em suas respostas. “Precisamos de ajuda”, escreveu ele no Facebook.

Para os defensores de Kiev, o ralo é a elevação de seus gastos militares para tentar fazer frente a Putin. Neste ano, o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres) prevê que a Ucrânia irá gastar 5% de seu PIB com Forças Armadas, algo que só cinco países do mundo fazem.

Um diplomata ocidental que trabalha na região pondera que todos os lados têm faltas na disputa, baseada na rivalidade entre Moscou e Kiev —e que ganhou contornos religiosos, com a declaração de independência da Igreja Ortodoxa da Ucrânia de sua matriz em Moscou, em janeiro.

Além de disputar a primazia sobre uma cultura que dividem, russos e ucranianos vivem sob o impacto do fim do império comunista —do qual ambos faziam parte, com a óbvia dominância do Kremlin.

Desde o tempo do Império Russo, a fértil região servia como tampão contra forças invasoras vindas da Europa. Com a independência, Moscou sempre privilegiou grupos políticos que atuassem em seu favor, buscando manter  a Ucrânia sob sua influência.

Com os eventos de 2014, a maré virou como ocorrera em 2004, na chamada Revolução Laranja.

A reunificação da Crimeia e a crise no Donbass evitaram que Kiev se unisse à União Europeia ou, pior, à Otan (aliança militar liderada pelos EUA), algo inadmissível para Putin.

Há também um forte componente nacionalista em questão. A Ucrânia tinha, no último censo que realizou, em 2001, 17,3% de russos étnicos. Na Crimeia, contagem feita em 2014 apontou 65%.

Uma das pedras angulares do putinismo é a proteção dos compatriotas que ficaram em ex-repúblicas soviéticas. Politicamente, é impossível para Putin abandonar essas populações, ainda que o Kremlin dificilmente vá querer absorver regiões deficitárias como aquelas do leste ucraniano.

É mais negócio manter a tensão congelada, até para testar os limites de reação do Ocidente, até aqui limitada a danosas sanções econômicas.

A fragmentação política se intensificou. Há 12 candidatos prováveis para a primeira eleição presidencial desde aquela que elegeu Poroshenko após a crise de 2014, e 6 deles se mostram competitivos.

A ex-premiê Iulia Timoshenko ponteia uma disputa em que os líderes têm entre 10% e 20% das intenções de voto. Pró-Ocidente, ela teve um relacionamento menos agressivo com Putin quando esteve no poder (2005 e 2007-10).

Para Poroshenko, no bloco logo abaixo de Timoshenko na corrida eleitoral, a disputa com a Rússia tornou-se um ativo eleitoral. Em novembro passado, após os russos capturarem navios de guerra ucranianos no mar de Azov, ele decretou lei marcial no país.

Isso elevou um pouco sua posição, mas o tempo é curto e há problemas à frente.

A Rússia, por exemplo, vai completar a construção de dois gasodutos para abastecer o mercado europeu, o qual domina, driblando o caminho pela Ucrânia que atualmente deixa US$ 3 bilhões anuais em pedágio para Kiev.”

 

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