Convenção e disputa global: quem liderará a ONU a partir de 2027?

Convenção e disputa global: quem liderará a ONU a partir de 2027?

Sucessão da ONU 2027 e o Impacto no CACD

A sucessão de António Guterres na Secretaria-Geral das Nações Unidas já mobiliza governos, diplomatas e organismos multilaterais. Entenda por que a escolha da próxima liderança da Secretaria-Geral é uma das disputas mais relevantes da governança global contemporânea. Além disso, o processo revela debates centrais para quem estuda Política Internacional: equilíbrio regional, representatividade de gênero, funcionamento do Conselho de Segurança e disputa de influência entre grandes potências. A possível volta da América Latina ao comando da ONU também reforça a relevância geopolítica da sucessão.

Veja o que está em disputa na Secretaria-Geral

O atual secretário-geral, António Guterres, deixará o cargo em dezembro de 2026. Sendo assim, a escolha do seu sucessor ocorrerá ao longo de 2026, com posse prevista para janeiro de 2027. Historicamente, consolidou-se uma lógica informal de rotatividade geográfica na organização.

Por isso, cresce a expectativa de que a próxima liderança venha da América Latina e Caribe. Afinal, a região ocupou o cargo apenas uma vez, com Javier Pérez de Cuéllar. Adicionalmente, há uma forte pressão política para que uma mulher assuma o posto pela primeira vez desde 1945.

Entenda quem são os principais candidatos

Até março de 2026, cinco candidaturas haviam sido formalmente apresentadas. A lista reúne três mulheres e dois homens. Veja como se configuram os principais nomes:

  • Michelle Bachelet: Apoiada por Brasil, Chile e México. Possui forte trajetória multilateral e foi a primeira diretora da ONU Mulheres;
  • Rafael Grossi: Atual diretor da AIEA, cuja experiência em crises nucleares fortalece sua imagem diplomática;
  • Rebeca Grynspan: Secretária-geral da UNCTAD, que defende a modernização administrativa e a eficiência financeira;
  • Macky Sall e Virginia Gamba: Indicados por Burundi e Maldivas, buscando ampliar o protagonismo de suas respectivas regiões.

Compreenda como funciona a escolha

A eleição do secretário-geral combina elementos jurídicos e políticos. Primeiramente, o artigo 97 da Carta da ONU estabelece que a nomeação cabe à Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Na prática, isso significa que os cinco membros permanentes (P5) exercem influência decisiva, podendo vetar candidaturas.

No entanto, desde 2016, o processo incorporou audiências públicas. Dessa forma, ampliou-se parcialmente a transparência da seleção.

Os desafios e a crise do multilateralismo

A próxima liderança da ONU assumirá em um contexto extremamente polarizado. Nesse sentido, os principais desafios envolvem:

  • A capacidade de responder a conflitos armados urgentes;
  • A crise climática e as demandas por financiamento sustentável;
  • O impasse recorrente no Conselho de Segurança e a urgência de reformas.

Por fim, o papel do Brasil e o foco no CACD

O apoio brasileiro a Michelle Bachelet revela a tentativa de fortalecer a presença latino-americana. Historicamente, a diplomacia brasileira defende a reforma da ONU, o multilateralismo e uma maior representação do Sul Global. Portanto, a sucessão da ONU 2027 é um tema quente para as provas.

Em Política Internacional, o professor e diplomata Thomaz Napoleão explora a crise do multilateralismo e a diplomacia brasileira em organismos internacionais.

Já em Direito Internacional Público, o professor e diplomata Pedro Sloboda detalha a estrutura da Carta da ONU, os poderes do Conselho de Segurança e o papel da Secretaria-Geral.

Em História Mundial, a professora Natasha Piedras analisa a evolução da ONU desde a Conferência de São Francisco (1945), contextualizando como as sucessivas lideranças da organização refletiram as mudanças de poder global ao longo das décadas.

Em conclusão, mantenha esse tema no radar de atualidades. Continue acompanhando as análises do IDEG para garantir uma preparação de excelência!