BRICS+: expansão, governança global e os novos desafios da ordem internacional

BRICS+: expansão, governança global e os novos desafios da ordem internacional

A expansão do BRICS e a governança global no CACD

A recente expansão do BRICS consolidou o agrupamento como uma das principais plataformas de cooperação política e econômica do Sul Global. Com efeito, o grupo reúne economias emergentes responsáveis por parcela expressiva da população, do PIB e do território mundial. Entenda por que a evolução institucional do bloco e as diretrizes da presidência brasileira em 2025 são temas indispensáveis na preparação estratégica para o CACD.

Origem histórica: do conceito à diplomacia multilateral

Primeiramente, o termo BRIC foi elaborado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, para identificar mercados emergentes com alto potencial de crescimento. De fato, tratava-se apenas de uma categoria de análise financeira sem dimensão diplomática.

Contudo, a articulação política iniciou-se em 2006 com a reunião de Chanceleres à margem da Assembleia Geral da ONU, seguida por um encontro informal na Cúpula do G8 em Hokkaido (2008). Por fim, a institucionalização definitiva ocorreu em 2009, na I Cúpula do BRIC em Ecaterimburgo, elevando o diálogo ao nível de Chefes de Estado e de Governo.

O primeiro alargamento e a criação de novas instituições

Posteriormente, em 2011, ocorreu o primeiro processo de ampliação com o ingresso da África do Sul na Cúpula de Sanya, constituindo formalmente o BRICS. Nesse sentido, a incorporação do continente africano reforçou a legitimidade geopolítica da coalizão na representação das economias emergentes.

Ademais, a Cúpula de Durban (2013) introduziu o mecanismo BRICS Outreach para aproximação com outros países em desenvolvimento. Logo em seguida, na histórica Cúpula de Fortaleza (2014), os membros fundaram duas instituições fundamentais de cooperação financeira complementar ao FMI e ao Banco Mundial:

  • Novo Banco de Desenvolvimento (NDB): voltado ao financiamento de infraestrutura e sustentabilidade;
  • Arranjo Contingente de Reservas (ACR): mecanismo de suporte financeiro mútuo contra crises de liquidez.

Os quatro pilares estratégicos do agrupamento

Desse modo, a atuação multilateral do BRICS estruturou-se ao longo dos anos sobre quatro grandes eixos temáticos:

  • Reforma da governança global: busca por maior representatividade na ONU, FMI, Banco Mundial e OMC;
  • Desenvolvimento econômico e social: promoção de crescimento sustentável e combate às desigualdades;
  • Integração sociocultural: cooperação acadêmica, científica, cultural e participação da sociedade civil;
  • Cooperação financeira: operacionalizada por meio do NDB e do ACR.

O segundo alargamento e a categoria de países parceiros

Paralelamente, a partir de 2023, a expansão do BRICS avançou para sua fase mais ampla. Na Cúpula de Joanesburgo, foram convidados Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Argentina. Entretanto, a Argentina recusou o convite e a Arábia Saudita não concluiu a adesão, confirmando-se a entrada de Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã.

Já em 2024, a Cúpula de Kazan formalizou a integração da Indonésia como membro e criou a modalidade de países parceiros. Dessa maneira, onze Estados passaram a integrar essa categoria institucional:

  • Belarus, Bolívia, Cazaquistão e Cuba;
  • Malásia, Nigéria, Tailândia e Uganda;
  • Uzbequistão e Vietnã.

A presidência brasileira em 2025 e a Cúpula do Rio

Por sua vez, sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, o Brasil assumiu a liderança do bloco em 2025. Veja como a agenda brasileira priorizou a cooperação Sul-Sul e parcerias socioambientais através de seis eixos centrais: Saúde Global, Comércio e Finanças, Mudanças Climáticas, Governança da IA, Paz e Segurança, e Desenvolvimento Institucional.

Como resultado, a Cúpula do Rio de Janeiro aprovou três documentos decisivos:

  • Declaração-Marco sobre Finanças Climáticas: ampliação do financiamento para adaptação e mitigação no Sul Global;
  • Declaração sobre Governança Global da Inteligência Artificial: combate à concentração tecnológica e incentivo ao acesso inclusivo;
  • Parceria para Eliminação das Doenças Socialmente Determinadas: fortalecimento da saúde pública e combate às assimetrias.

O BRICS e o debate sobre a reforma da governança global

Além disso, o agrupamento sustenta que a arquitetura internacional pós-Segunda Guerra não reflete a atual distribuição de poder econômico. Na ONU, a Declaração de Joanesburgo (2023) registrou o apoio explícito às aspirações de Brasil, Índia e África do Sul por assentos permanentes no Conselho de Segurança.

Da mesma forma, o bloco atua no fortalecimento do sistema multilateral de comércio na OMC e no apoio ao NDB. Apesar das divergências geopolíticas internas, o grupo consolida-se como um dos principais fóruns de coordenação do Sul Global.

Como o tema será abordado nas disciplinas do IDEG

[CACD 2015]  Juntamente com o Acordo Constitutivo do Novo Banco de Desenvolvimento, foi assinado em Fortaleza o Tratado para o Estabelecimento do Arranjo Contingente de Reservas dos BRICS, com recursos iniciais da ordem de US$ 100 bilhões.

[CACD 2024] O Novo Banco de Desenvolvimento, com sede permanente em Xangai, foi criado a partir de acordo assinado durante a Cúpula de Fortaleza em 2014 e só pode ser integrado por membros do BRICS.

[CACD 2025] Estão sendo estudadas no âmbito do BRICS duas medidas que podem enfraquecer no futuro a hegemonia do dólar nas transações financeiras internacionais: um sistema de pagamento alternativo ao sistema SWIFT e uma moeda comum.  

Nos cursos teóricos do IDEG, você estuda esses assuntos com profundidade e sob múltiplas perspectivas.

Cada disciplina oferece uma chave própria de análise:

Política Internacional – O professor Thomaz Napoleão analisa como a expansão do BRICS impacta a governança global e a atuação diplomática brasileira. Entre os eixos trabalhados, destacam-se: o papel do Brasil na articulação do Sul Global durante a presidência de 2025 e os resultados estratégicos aprovados na Cúpula do Rio de Janeiro.

Direito Internacional Público – O professor Pedro Sloboda esmiúça a natureza jurídica dos atos e das instituições do bloco. Entre os elementos desenvolvidos, incluem-se: o tratado constitutivo do NDB e do ACR; o estatuto formal da nova categoria de países parceiros; e as declarações conjuntas adotadas nas cúpulas presidenciais.

Geografia – O professor Thiago Rocha aborda a reconfiguração geopolítica e econômica do espaço mundial com a ampliação do grupo. Entre os pontos centrais, destacam-se: a redistribuição do controle de recursos energéticos e rotas de comércio entre os novos membros; e o peso demográfico e territorial do BRICS+ na economia contemporânea.

Em suma, dominar as transformações na ordem internacional garante uma preparação sólida e diferenciada. Acelere a sua aprovação no CACD estudando com a metodologia especializada do IDEG!