
Assinatura do Acordo de Parceria MERCOSUL-União Europeia: um marco para a integração econômica e diplomática
Acordo MERCOSUL-União Europeia é assinado
A assinatura do Acordo MERCOSUL-União Europeia marca um momento histórico. O evento ocorreu em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, e encerra um ciclo de mais de 26 anos de negociações. Depois de mais de 26 anos de negociações, o acordo simboliza não apenas um avanço comercial, mas também um reforço nas ligações multilaterais baseadas em valores democráticos, multilateralismo e desenvolvimento sustentável..
A negociação, que teve início no final da década de 1990, culminou na assinatura formal de um instrumento abrangente de cooperação econômica e integração, projetado para criar uma área de livre comércio que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado superior a US$ 22 trilhões — um dos maiores mercados tradables do mundo.
O que o acordo estabelece
O Acordo de Parceria contém diversos instrumentos-chave. Entre eles destacam-se:
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Intercâmbio ampliado de bens e serviços, com redução progressiva de tarifas e barreiras não tarifárias, beneficiando setores industriais e agrícolas dos Estados-Partes do MERCOSUL e da União Europeia.
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Acesso preferencial ao mercado europeu, ampliando oportunidades para exportações sul-americanas e fortalecendo a competitividade das empresas da região.
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Mecanismos de cooperação em áreas estratégicas, como desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade ambiental, inovação e promoção comercial, que buscam não apenas padrões de concorrência mais equilibrados, mas também um ambiente regulatório que favoreça o crescimento econômico inclusivo.
Além disso, o tratado busca criar um ambiente regulatório que favoreça o crescimento inclusivo. Dessa forma, as empresas sul-americanas ganham competitividade e novas oportunidades de inserção nas cadeias globais de valor.
Próximos passos: o desafio da ratificação
Mesmo após a assinatura, o acordo depende de processos internos de ratificação nos Parlamentos dos países envolvidos, especialmente no âmbito da União Europeia, onde a aprovação legal e revisão por instâncias como o Tribunal de Justiça da União Europeia podem influenciar o prazo de entrada em vigor. Esse procedimento tem sido objeto de debate político e jurídico dentro da UE, com setores defendendo maior escrutínio técnico e ambiental antes da implementação definitiva — um exemplo típico das complexidades que envolvem acordos comerciais de grande escala.
Ao mesmo tempo, o pacto abre espaço para a ampliação de parcerias externas, com diálogos comerciais já em curso com outras regiões e países — incluindo Singapura, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e negociações com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e Japão — o que pode posicionar o MERCOSUL como um eixo relevante nas dinâmicas globais de comércio e investimentos.
Como o tema cai no CACD
Este é um dos temas mais cotados para as próximas provas. Nos cursos teóricos do IDEG, você analisa o acordo sob três perspectivas complementares:
Política Internacional – O professor e diplomata Thomaz Napoleão discute a longa trajetória diplomática das negociações (desde 1999). Assim, ele explora o significado político da assinatura para o presidencialismo de coalizão e a inserção do Brasil em um cenário de protecionismo global.
Direito Internacional Público – O professor e diplomata Pedro Sloboda examina a natureza jurídica do tratado. Nesse contexto, ele detalha o complexo processo de internalização (ratificação), a distinção entre as partes comerciais (competência exclusiva da UE) e políticas (mistas), e as cláusulas de solução de controvérsias.
Geografia – O professor Thiago Rocha aborda os fluxos comerciais e as questões ambientais. Sob essa ótica, ele analisa como as exigências do “Green Deal” europeu impactam o agronegócio brasileiro e a geografia da produção no MERCOSUL.