
A iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (P4M) e a a crise da ordem global
Parceiros pelo Multilateralismo e a crise global
A iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (Partners for Multilateralism – P4M) foi lançada em setembro de 2026 por Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia. De fato, o projeto surgiu às vésperas da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) para defender o Direito Internacional, a cooperação global e a reforma das instituições multilaterais. Além disso, a proposta visa enfrentar a crescente fragmentação geopolítica e a crise do sistema internacional. Entenda por que acompanhar esses desdobramentos é essencial para a sua preparação no CACD.
Com efeito, a criação da Parceiros pelo Multilateralismo ocorre em um momento de forte polarização mundial. De um lado, conflitos armados, rivalidades entre grandes potências, sanções e disputas comerciais aumentam a demanda por coordenação global. De outro lado, organismos internacionais enfrentam sérias dificuldades para produzir consensos. Nesse cenário, a plataforma busca articular países de diferentes regiões em torno de soluções práticas para os desafios contemporâneos.
Entenda a iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo
Primeiramente, a plataforma nasceu do impulso conjunto de quatro lideranças globais: Luiz Inácio Lula da Silva, António Costa, Mark Carney e William Ruto. Todavia, os fundadores deixam claro que a P4M não pretende criar um novo bloco rígido ou uma organização internacional tradicional. Ao contrário, trata-se de um fórum aberto e flexível para a construção de coalizões temáticas.
A propósito, na primeira reunião oficial em Nova York, o grupo somou importantes adesões. Acompanhe os países participantes:
- Co-patrocinadores iniciais: Austrália, Barbados e Índia;
- Signatários adicionais: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Chipre, Finlândia, Guatemala, Liechtenstein, Luxemburgo, Moldávia, Noruega, San Marino, Eslováquia, Espanha, Turquia e Uruguai.
Dessa forma, a iniciativa supera as divisões tradicionais entre o Norte e o Sul Global. Assim sendo, reúne Estados com diferentes capacidades econômicas e visões geopolíticas em prol de regras comuns.
O manifesto: por que defender o multilateralismo?
Veja que o manifesto de criação alerta para os riscos do avanço da política de poder e da coerção econômica. Atualmente, potências globais utilizam a interdependência econômica, o comércio e os fluxos de financiamento como verdadeiros instrumentos de pressão diplomática.
Em contrapartida, o documento sustenta que os principais desafios do século XXI possuem natureza estritamente transnacional. Entre os temas centrais, destacam-se:
- Mudanças climáticas, poluição e perda de biodiversidade;
- Governança da Inteligência Artificial e transformação digital;
- Prevenção de pandemias e combate às desigualdades socioeconômicas.
Por conseguinte, o manifesto reafirma a centralidade da Carta das Nações Unidas, da igualdade soberana, do Direito Internacional Humanitário, do Acordo de Paris e da Agenda 2030.
Reformar a ONU sem abandonar o sistema multilateral
Além disso, os signatários destacam que defender o multilateralismo exige promover a sua profunda modernização. Nesse sentido, o grupo apoia o processo de reforma UN80, idealizado pelo Secretário-Geral António Guterres para adaptar a ONU às restrições orçamentárias e às exigências do mundo atual.
Entretanto, o principal gargalo político permanece no Conselho de Segurança da ONU (CSNU). De fato, o uso recorrente do poder de veto pelos membros permanentes paralisa a tomada de decisões em crises graves. Assim, a reforma do órgão é vista como indispensável para restaurar a sua representatividade e eficácia.
Veja o impacto das pressões econômicas dos Estados Unidos
Vale notar que o lançamento do fórum dialoga diretamente com as tensões comerciais vividas por seus integrantes frente aos Estados Unidos em 2026. Análise como cada ator enfrenta essa assimetria:
- Brasil: Contestou na OMC as sobretaxas norte-americanas que acumularam até 37,5% sobre produtos nacionais, buscando soluções diplomáticas antes de adotar reciprocidade;
- Canadá: Interrompeu negociações bilaterais em agosto após ameaças de tarifas de 50% sobre US$ 28 bilhões em produtos, acelerando a diversificação de parcerias e a cooperação entre economias médias;
- União Europeia: Aprovou salvaguardas e compromissos tarifários para preservar sua autonomia regulatória e conter desequilíbrios no comércio transatlântico;
- Quênia: Buscou negociar um novo marco comercial recíproco e garantir a manutenção do regime de preferências do AGOA para suas exportações.
Portanto, as experiências desses países demonstram como as relações econômicas adquiriram caráter decisivo na competição geopolítica contemporânea.
A crise institucional e o embate na 81ª AGNU
Com efeito, a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU ocorreu sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. Contudo, o debate geral refletiu o profundo desgaste das instituições multilaterais.
Paralelamente à paralisia do CSNU, a Organização Mundial do Comércio e o G20 também enfrentam forte fragmentação interna. Por essa razão, a iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo buscou preencher esse vácuo, propondo coalizões temáticas entre países moderados.
Analise o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU
Tradicionalmente responsável por abrir o Debate Geral da AGNU desde 1955, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a crise de credibilidade das Nações Unidas. Em sua fala, o mandatário brasileiro atribuiu esse cenário ao imobilismo do Conselho de Segurança.
Além disso, Lula condenou os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu, criticou o embargo a Cuba e afirmou categoricamente que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. No campo econômico e tecnológico, defendeu a regulação internacional da Inteligência Artificial e o adensamento industrial a partir de minerais críticos e energias renováveis.
Compare com a visão de Donald Trump sobre a ordem global
Por outro lado, o presidente norte-americano Donald Trump discursou logo em seguida, apresentando uma visão oposta da ordem internacional. Em vez de apostar no multilateralismo, Trump priorizou o poder nacional, a força militar e ações unilaterais dos Estados Unidos.
Durante sua intervenção, fez duras críticas à ONU e ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Ademais, rejeitou expressamente qualquer tentativa de criar um regime global de controle da Inteligência Artificial. Essa postura contrasta diretamente com as propostas de regulação multilateral defendidas pelo Brasil e pela União Europeia.
Veja como o tema é cobrado na prova do CACD
Para os seus estudos, é fundamental conectar o debate sobre o multilateralismo aos seguintes eixos da matriz curricular do concurso:
- A tradição diplomática brasileira de apoio ao multilateralismo e ao Direito Internacional;
- Os processos de reforma da ONU, incluindo a iniciativa UN80 e a expansão do CSNU;
- Os mecanismos do sistema de solução de controvérsias da OMC diante de tarifas coercitivas;
- A regulação global da Inteligência Artificial, minerais críticos e transição energética.
Por fim, confira a análise dos professores do IDEG
Em suma, a criação da plataforma Parceiros pelo Multilateralismo reforça a urgência de estudar as transformações do sistema internacional. Veja como o nosso corpo docente aborda o tema:
Política Internacional – O professor e diplomata Thomaz Napoleão analisa o papel do Brasil na abertura da AGNU, a formação de coalizões de geometria variável e o contraponto entre o unilateralismo e as normas multilaterais.
Direito Internacional Público – O professor e diplomata Pedro Sloboda aborda a eficácia da Carta da ONU, a atuação do Conselho de Segurança e o contencioso comercial brasileiro na OMC.
Geografia – O professor Thiago Rocha explica a geopolítica dos recursos estratégicos, a distribuição dos minerais críticos e os impactos da governança ambiental e energética global.
Por fim, dominar as transformações da governança mundial é decisivo para garantir uma excelente nota nas provas do CACD. Fortaleça a sua preparação com os cursos teóricos do IDEG!